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Na sequência do ENCONTRO DE TORINO publicamos um excerto, com o  respectivo link,  do texto de Oscar Jara Holliday Presidente  do CEAAL- Consejo de Educación Popular de América Latina y el Caribe, apresentado no Encontro Latino Americano no Equador, em 20 de Agosto de 2014.

“LOS DESAFÍOS DE LOS PROCESOS DE EDUCACIÓN POPULAR 

EN EL CONTEXTO ACTUAL”

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De “Consejo de Educación de Adultos” a “Consejo de Educación Popular”

En nuestra última Asamblea Ordinaria del CEAAL en Lima, en mayo del 2012 decidimos cambiar el nombre del CEAAL, de Consejo de Educación de Adultos de América Latina a Consejo de Educación Popular  de América Latina y el Caribe, y con ese cambio de nombre queríamos precisamente reafirmar la importancia de retomar las raíces fundamentales que nos constituyen: la apuesta por una educación popular crítica, emancipadora y transformadora, que abarque todos los campos y modalidades educativas y vaya mucho más allá de lo que se pueda hacer en el campo  de la educación de personas adultas.

Cuando hablamos de una educación popular estamos hablando de otro paradigma de educación, estamos hablando de otra educación: una educación centrada en la búsqueda por convertirnos, como personas, en sujetos protagonistas de las acciones de transformación, en  protagonistas de los procesos sociales de cambio, en la medida que esos procesos rescatan los saberes populares  y responden a las necesidades de las mayorías. Como dice el sociólogo Helio Gallardo[1] sobre los dos sentidos de lo “popular”: la noción de lo popular referida al pueblo social y la noción de lo popular referida al pueblo político. El pueblo  social está constituido por todos aquellos sectores que sufren algún nivel  de asimetría, de brecha, de desigualdad, debido a cualquier forma de explotación, de opresión, exclusión, marginación odiscriminación. Todos esos sectores conforman el pueblo social. Por lo tanto, una educación popular es una educación que rescata  la vida, las necesidades, los sueños, los afanes, las frustraciones y las expectativas de ese pueblo social; una educación que tiene como punto de referencia las condiciones que se sufren desde esas situaciones de exclusión, discriminación y explotación. Sin embargo dice también Gallardo, que más importante todavía es la noción de pueblo político: es decir la referida a todos aquellos sectores sociales, organizaciones y personas que luchan por cambiar, por cancelar esas asimetrías e inequidades; que luchan por eliminar las condiciones de explotación, de exclusión, de opresión, de marginación y discriminación. Es en este doble sentido que nosotros afirmamos la importancia de generar otra educación: una educación popular, una educación transformadora que responde a las situaciones y a los intereses de ese pueblo social y se orienta en la perspectiva de impulsar el protagonismo del pueblo político.

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Link=https://drive.google.com/file/d/0B5p1b5yvF2dUOWJnaUg3cS1mbE0/view?usp=sharing

ÓSCAR JARA HOLLIDAY

 
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IX ENCONTRO INTERNACIONAL DO FORUM PAULO FREIRE

CAMINHOS DE EMANCIPAÇÃO PARA ALÉM DA CRISE

“ o mundo não é, o mundo está sendo” Paulo Freire

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Na Conferência inaugural participaram  Luiza Cortesão do IPFP, Carlos Alberto Torres do IPF da Califórnia e Carlos Nanni, da Universidade de Roma.

De salientar, na participação portuguesa, o lançamento do número 5 da colecção Querer Saber intitulado “Fazer educação, fazer política: linguagem, resistência e acção” apresentado por  Eunice Macedo. Comentaram Luiza Cortesão e Massimiliano Tarozzi.

Eunice Macedo apresentou também  a comunicação "Conscientização e aprendizagem pela conversa: Empoderamento e renovação democrática de comunidades locais", em co-autoria com Amélia Macedo.  Esta comunicação, que foi apresentada no grupo de discussão do tema "Afrontare i problemi locali facendo leva sulla partecipazione dei citadini", foi estruturada em torno do capítulo intitulado "Aprender pela conversa: Assim, como e depois?" inserido na obra "Lideranças Partilhadas: Percursos de literacia para a igualdade de género e qualidade de vida", coordenado por Cláudia Múrias & Marijke de Koning.  O prefácio desta obra esteve a cargo da Presidente da direção do IPFP Luiza Cortesão.

Por último, de referir a participação  no Forum Internacional dos Institutos Paulo Freire onde, como habitualmente, se elaborou uma Carta, neste caso a designada  “Carta de Turim”. Procedeu-se ainda à aprovação de novos Institutos Paulo Freire bem como  a  escolha do local a realizar o próximo Forum  no ano de 2016  - Londres. 

programa_pg2Programa: http://paulofreire.it/files/ipf/Web_Freire2014_A5_Programma_def_v04.pdf

 

IX ENCONTRO INTERNACIONAL DO FORUM PAULO FREIRE

“Sendas de Emancipação depois da Crise: Temas Geradores do Pensamento

Educacional e Social de Paulo Freire”

CARTA DE TURIM

Os representante do Conselho Mundial dos Institutos Paulo Freire, vindos de todos os continentes da Terra, reunidos em Turim, Itália, nos dias 17 a 20 de setembro de 2014, no IX Encontro Internacional do Forum Paulo Freire, cujo tema central foi “Sendas de Emancipação depois da Crise: Temas Geradores do Pensamento Educacional e Social de Paulo Freire”, passam a registar os seguintes considerandos:

  1. Considerando que as crises ocorrem, em geral, nas formações sociais, ao longo da História, por causa das exacerbações das contradições e, no limite, em função do esgotamento das possibilidades de superação dos processos de dominação, opressão, apropriação e acumulação dos produtos sociais pelo próprio sistema que está em crise.
  1. Considerando que os grupos hegemónicos ostentam impor sempre o seu pensamento, seus valores, suas projeções e seus modos de vida como únicos e universais mas que, apesar desse “monoculturalismo” acrítico, tentam também construir e impor a falsa convicção de que as desigualdades económicas e sociais são “naturais”.
  1. Considerando que, no final do século passado e início deste terceiro milénio, emergiu com muita força a tentativa de globalização do “Consenso Neoliberal”, pelo qual, as injustiças económico-sociais, a violência étnica, de género e contra “diferentes” orientações sexuais, o trabalho semi – escravo e as agressões ao meio ambiente são considerados como naturalmente necessários para garantir a acumulação financeira.
  1. Considerando que a necessidade de desenvolver a reflexão crítica sobre o modelo civilizatório atual, bem como de, socializar e divulgar práticas sociais  educativas e culturais que sejam portadoras de novos paradigmas científicos e epistemológicos.
  1. Considerando que o legado de Paulo Freire aponta para um conjunto de respostas aos problemas que se apresentam na atualidade, capazes de superar a crise que, ora se abate sobre as sociedades humanas, especialmente, sobre as regiões e países cujos governos insistem em aplicar as orientações da “Agenda Neoliberal”.

Diante dessas considerações, os freirianos abaixo-assinados, presentes na “Fábrica do Grupo Abele, assumem o compromisso, no biénio 2015-2016, com os seguintes princípios e iniciativas:

1º) contribuir para a reinvenção do legado de Paulo Freire, tendo-o como um dos referenciais importantes para os demais compromissos assumidos nesta Carta,

2º) participar da luta incondicional contra qualquer forma de discriminação, de opressão e de exclusão, renovando, por meio do diálogo com todos, a reorganização da sociabilidade nos âmbitos local, regional, nacional e mundial;

3º) colaborar para a promoção do intercâmbio cultural permanente entre  Norte e  Sul e entre Oriente e Ocidente, para a busca coletiva e transindividual da cidadania planetária ativa, multicultural e da ecologia dos saberes, histórica e geopoliticamente, identificados e reconhecidos a partir de seus específicos lugares de enunciação, sem silenciamentos nem hierarquizações impostas pela força do poder;

4º) trabalhar para a criação de condições para novas práticas de convivência humana, de modo a consolidar a democracia participativa como valor universal, com base na igualdade que não leve à uniformidade e no respeito às diferenças que não conduza á desigualdade;

5º) estimular e auxiliar a promoção da Ecopedagogia, como eixo central dos processos educacionais e pedagógicos, no sentido de consolidar a cultura da sustentabilidade em todas as sociedades contemporâneas;

6º) contribuir para o combate a toda e qualquer forma de ajuste económico e político, de modo a concentração de renda; a eliminar a competição conducente ás comparações odiosas e aos rankings; a diminuir as distâncias sociais; a extinguir a violência física ou simbólica; a anular as ameaças ao desenvolvimento sustentável; a consolidar o respeito pelos direitos humanos em geral e pelos direitos dos grupos mais vulneráveis, em especial, tais como, de entre outros, como crianças, idosos, pessoas com deficiência, imigrantes, povos ameaçados por diferenças étnicas, históricas e culturais e mulheres; a “empoderar” os oprimidos e as oprimidas e, que finalmente, a possibilitar o estabelecimento de um novo consenso humano, por meio da inclusão de todos nos processos de emancipação e de usufruto dos benefícios do “banquete civilizatório”.

Imbuídos da esperança, não por teimosia, nem por poesia, mas por determinação ontológica, como escreveu Paulo Freire, os membros do Conselho Mundial dos Institutos Paulo Freire abaixo-assinados convidam a todos e todas que concordam com estes considerandos e com estes compromissos a aderirem, também, como signatários, a esta Carta de Turim do Fórum Paulo Freire.

Turim, 20 de Setembro de 2014

 

(seguem-se as assinaturas no link:

https://drive.google.com/file/d/0B0OFSu6G4JSUZ0E2MEd5bjJxUWs/view?usp=sharing) 

 

 

 

 
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CICLO “EDUCAÇÃO, RESISTÊNCIA E AÇÃO”

 

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Relembramos a sessão com Wanderley Geraldi e Corinta Geraldi sobre “Diferentes usos da narrativa de experiências na investigação em educação” que, inicialmente, previmos para o dia 16 de Junho e que afinal tivemos de adiar para esta sexta-feira, dia 20. Mas temos agora o gosto de anunciar que esta sessão será enriquecida pela apresentação do livro “Histórias no Feminino”, da autoria de Joana Cavalcanti, Mercedes Blanchard, Ana Cristina Pinheiro, Irene Cortesão Costa, Paula Medeiros e Sara Ribeiro, e com ilustrações de Walter Almeida. O trabalho que permitiu a elaboração deste livro servirá de ilustração à defesa que os conferencistas farão da utilização da história oral na pesquisa em educação. Não percam! 

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Recordamos Wanderley Geraldi e Corinta Geraldi são professores jubilados da Universidade de Campinas, com uma vasta experiência de pesquisa e intervenção em problemas socioeducativos no Brasil. Corinta Geraldi foi também Secretária da Educação do Estado de Campinas. Wanderley Geraldi é um linguista com uma grande e reconhecida produção teórica. Situação particularmente significativa para o IPFP é o facto de terem sido ambos amigos e intensos colaboradores de Paulo Freire, quando ele regressou ao Brasil, após o exílio, e era Secretário da Educação do Estado de São Paulo. 

Esta será a última sessão do presente ano lectivo e, deste modo, fecha-se que o com “chave de ouro”. 

Saudações amigas

A Presidente do Instituto Paulo Freire de Portugal

Luiza Cortesão

 
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CICLO “EDUCAÇÃO, RESISTÊNCIA E AÇÃO”

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No dia 4 de Junho vamos ter oportunidade de participar numa sessão dinamizada por Fernanda Rodrigues sobre “A contramão das políticas sociais e a intervenção socioeducativa”. Fernanda Rodrigues doutorada em Serviço Social pela PUC de São Paulo, atualmente investigadora do CIIE-FPCEUP, tem um vastíssimo currículo de intervenção no domínio das políticas sociais, direitos sociais e acção local, mais especificamente nas áreas da Assistência Social, Pobreza e Exclusão Social, Acção Local e Mudança Social.

Para além do público habitual deste ciclo, chamamos especial atenção aos professores e/ou profissionais destas áreas por que se trata de uma sessão de particular interesse que não deve ser perdida. Contamos convosco!

Saudações amigas 

A Presidente do Instituto Paulo Freire de Portugal 

Luiza Cortesão

 

 

 


 
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?Comemorando os 50 anos de Angicos

Entre os dias 23 e 25 de Abril teve lugar em Natal, em Rio Grande do Norte, Brasil, um encontro de grande qualidade promovido pelo SINTE/RN. Este encontro foi seguido de outro, igualmente interessante, no Vale do Açu, também no Nordeste na região semiárida do Brasil.

Em ambos os encontros participou Luiza Cortesão do IPFP.

115Um anfiteatro com muitos professores

116Debates

117Uma assembleia atenta

118Numa sala repleta, a descontração entre as diferentes sessões

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120Festejando o fim de uma etapa

Vale do Açu é muito próximo de Angicos, local onde teve lugar, há 50 anos, a célebre experiência de alfabetização de adultos concebida e desenvolvida por Paulo Freire.

121Muito trabalho mas muito boa disposição

Tirando partido da proximidade de Angicos, os organizadores das sessões de Natal e de Vale do Açu, proporcionaram aos participantes um emocionante encontro com um grupo de 11 das senhoras e senhores que 50 anos antes tinham frequentado aquele curso de alfabetização.

118aUma cordelista deliciando os participantes

123Uma sala com alunos, professores e ex-alunos de Paulo Freire, em Angicos.

Com doçura, afabilidade, naturalidade e persistência, as organizadoras deste encontro foram conseguindo fazer desaparecer naquelas pessoas o embaraço natural que geralmente perturba um primeiro encontro. E assim foi possível que tenha conseguido estabelecer um emocionante e afetuoso diálogo com todos eles, testemunhas vivas de uma das mais extraordinárias experiências de educação de que temos conhecimento.

124O início ainda formal com os “alunos” de Paulo Freire.

A pouco e pouco, elas foram revelando a sua opinião sobre as situações que tinham experienciado, sobre emoções que tenham vivido, sobre o próprio Paulo Freire e sobre os efeitos que aquela experiência teve, posteriormente, nas suas vidas. A mais nova, filha de dois dos alfabetizandos de então, disse, por exemplo: “me alfabetizei no colo de meu pai e ao lado de minha mãe”; “sei ler e escrever e sei votar”, disse outra; e ouvimos outras frases como: “Paulo Freire era muito humilde com a pobreza, não queria saber da riqueza, queria saber dos pobres”.

125Quebrado o gelo, surgiu a comunicação e depois o afeto

126Já com saudades, a despedida dos “alunos” de Paulo Freire.

No discurso atual dos ex-alunos/as de Paulo Freire ainda ecoam efeitos que explicam por que razão, na sessão de encerramento do curso de há 50 anos, e depois de ouvir os alunos de Paulo Freire, a afirmarem-se como cidadãos, o General Humberto Castelo Branco se tenha assustado e tenha dito ao Secretário de Educação Calazans Fernandes: “meu jovem, você está engordando cascavéis no Sertão”.

De facto, ouvimos frases como: “agora sei todos os meus direitos”; “tinha seis anos à época. Acabaram as aulas e o material foi queimado. Eu escondi o meu caderno no colchão da minha mãe, pensando que ali eles não iam encontrá-lo. Mas encontraram e queimaram. Eles disseram que todos os que tinham estudado iam ser presos.”

Estes discursos explicam portanto, que, logo a seguir, e uma vez estabelecida a ditadura, Paulo Freire tenha sido preso e que, posteriormente, tenha sido forçado a fugir e a exilar-se da sua própria terra que tanto amava, durante muitos anos.

Poder vivenciar encontros com a qualidade destes, encontros participados por um grande número de professores e promovidos por um sindicato de trabalhadores de educação, poder partilhar com colegas de profissão a coragem e empenhamento, que revelam no seu trabalho, ajudam-nos a ter coragem para continuar diversas lutas em que estamos empenhados e estimulam-nos a continuar a pensar que, como dizia Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” (Freire, 2000:67).

Parabéns aos/às organizadores/as, e obrigado em especial a Inez Garcia e Inês Moraes que formalizaram o convite ao Instituto Paulo Freire de Portugal para partilhar das suas interessantes iniciativas.

 

 


 
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